Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Aliena-me Ás vezes eu fico cá comigo pensando: "será quem muita gente assiste novela?". Sim, porque afinal de contas a globo viveu muito disso - isso sem mencionar algumas verbas vindas da ditadura militar, mas isso deixemos para outro dia - e ainda deve viver. Será que cidadãos e cidadãs brasileiras de todas as classes, todos os níveis culturais e opções sexuais assistem a uma das maiores mentiras televisivas?
A novela induz ao consumo por seu próprio roteiro, pelo ambiente e pelo perfil de seus personagens, que reproduzem e ampliam estereótipos de comportamento que são vastamente aproveitados pelo mundo da propaganda e que levam um estilo de vida, por si mesmo, extremamente consumista, propagando a "educação para o consumo".

38 milhões de telespectadores a cada minuto


Ao final de cada capítulo, 56,8 milhões de pessoas sintonizaram a TV na Novela III. Em um mês, o alcance chega a 89% do potencial de telespectadores, que em números absolutos corresponde a cerca de 148 milhões de pessoas.

Perfil da Audiência1

Sexo
M 18+ H 18+ AS 4-17
50% 28% 22%


Classe Social
AB C DE
25% 40% 35%

Faixa Etária
4/11 12/17 18/24 25/49 50+
12% 10% 11% 41% 26%
A Novela III é vista pela maioria dos consumidores

O alcance mensal de 89% dos telespectadores significa que a Novela III da Globo consegue atrair a maioria dos consumidores de qualquer produto, seja ele de consumo ou bem durável. Veja abaixo o percentual de consumidores de diversos produtos que afirmaram assistir à Globo na faixa horária da Novela III, segundo pesquisa do Ibope nos onze principais mercados brasileiros.

Quem assiste à Globo no Horário da Novela III
66% de quem usou creme, gel ou espuma de barbear (a)
67% de quem viajou de avião (c)
68% de quem comprou esponja de limpeza (a)*
68% de quem consumiu vitaminas ou suplementos alimentares (b)
68% de quem pretende comprar automóvel (d)
69% de quem comprou móveis domésticos e artigos para a casa (c)*
69% de quem comprou artigos para decoração e reforma (c)*
69% de quem comprou amaciante de roupa (a)*
69% de quem tem previdência privada (e)
69% de quem comprou computador, notebook ou laptop
69% de quem se hospedou em hotéis (c)
69% de quem usou enxágue ou antisséptico bucal (a)
69% de quem consumiu energéticos (a)
70% de quem tomou remédio para dor (b)
70% de quem consumiu cereal matinal (a)
71% de quem comprou fraldas descartáveis (c) *
71% de quem possui cartão de crédito (e)
71% de quem comprou televisor (c)
72% de quem comprou telefone celular (c)
75% de quem comprou forno de microondas (c)

Fontes:
1) Ibope/Telereport (base: PNT/ audiência e perfil = média de jan. a ago./05; alcance = análise individual minuto a minuto, das 20h58 às 22h09, de segunda a sábado em ago./05).
2) Atlas de Cobertura Globo (universos sobre os quais foram projetados os percentuais do Ibope).
3) Ibope/TGI Brasil Target Group Index (11 mercados, ano 5, ondas I e II, set./03-ago./04).
(a)= consumo ou uso nos sete dias anteriores à pesquisa
(b)= consumo nos trinta dias anteriores à pesquisa
(c)= compra nos doze meses anteriores à pesquisa
(d)= pretensão de compra nos doze meses seguintes à pesquisa
(e)= posse

* Pesquisa domiciliar; demais itens pesquisa individual. Faixa horária considerada para a Novela III = de segunda a sábado, das 21 às 22 horas


Pergunto-me eu agora: "Onde estão as porcentagens de meninos carentes que começaram a ir à escola por criarem esperança vendo TV? Onde estariam escondidas as margens de erro para a quantidade de pessoas que páram de fumar ao verem um câncer na novela? Onde estariam as pessoas que saem do nordeste e vem pro sudeste e destas, quantas se dão bem?"

E afinal de contas, qual a porcentagem de pessoas q realmente aprendem algo...

Crônico de Sandálias abusando das palavras em exatos 02:17

Aqui, já meteram a boca no trombone!



Domingo, Janeiro 15, 2006

Domingo, Janeiro 15, 2006

Domingo, Janeiro 15, 2006

Um cara que me impressiona cada vez mais é Jorge Furtado.

Quando estava na escola, lá na minha 4ª ou quem sabe 5ª série, assisti um curta chamado "Ilha das Flores". pra dizer bem a verdade, na hora não entendi muito bem, eu ria da galinha e do cérebro que apareciam. Não entendi muito bem o que o filme queria passar.
Um dia desses eu resolvi baixar "ilegalmente" (desculpa, Jorge) da internet o filme. Depois de alguns bons anos, percebi a genialidade de Jorge Furtado.

E aí vai mais uma pitada dela:

Escave aqui, escave lá! - 9/1/2006
Por Jorge Furtado


Como vai? Tudo bem? Folgo em saber que temos um futuro na Terra e que, neste futuro, há vida humana, leitores e arqueólogos, isto supondo que o senhor seja um indivíduo da raça humana - eu sou - e que está na Terra. Talvez o senhor seja um andróide habilitado para a leitura do português e, tendo encontrado este texto num fragmento de nosso antigo e saudoso planeta, leia-me em Geronte, lua de Plutão que, fiquei sabendo ontem, tem atmosfera. Nunca se sabe.

No momento em que lhe escrevo, corre a manhã do dia seis do mês janeiro do ano de dois mil e seis da Era Cristã, esta é a medida de tempo mais utilizada no planeta. Escrevo de Porto Alegre, uma cidade no sul do Brasil, posso vê-la pela janela nesta bela manhã de sol. A temperatura atual é de 28 graus Celsius. A água (ainda existe?) ferve a 100 graus.

Minha atual posição no planeta Terra é de 30 graus, 2 minutos e 24 segundos Sul, 51 graus, 13 minutos e 12 segundos Oeste. Se o senhor estiver cavando por aqui, no bairro Rio Branco, encontrará vestígios de residências feitas de tijolos, vidro, cimento armado e concreto, poucas casas e muitos edifícios, alguns parques, ruas e automóveis. É um bairro de classe média, não saberia lhe explicar exatamente o que isto significa, imagino que a classe média, assim como os pandas, esteja extinta. Escave meio grau mais ao norte e poderá encontrar vestígios da Vila dos Papeleiros, edificada às margens do Rio Guaíba (na verdade, um lago chamado de rio) por pessoas muito pobres. Imagino que, ao contrário da classe média, eles ainda existam, a porcentagem de pobres no planeta não pára de crescer, e faz tempo. Não imagino o que possa ter sobrado daquelas construções de madeira, lata, plástico e papel, mas o local não tem praças nem nada que se possa chamar de ruas.

O problema da arqueologia, desculpe as críticas de um leigo, é definir onde se cava. Até os dias de hoje, seus colegas já encontraram muitas antigas civilizações e, a partir de suas descobertas, construímos a imagem de nosso passado. Talvez novas escavações descubram que o Egito e suas pirâmides não passaram de um parque temático erguido na periferia de uma outra civilização, muito mais adiantada. Isto explicaria aquela esfinge. Aventure-se a cavar pelo planeta afora e encontrará sítios arqueológicos tão distintos como o bairro Rio Branco e a Vila dos Papeleiros, em todas as cidades. O mundo em que vivemos está organizado de forma a separar rigidamente os pobres dos ricos, embora os ricos precisem sempre dos pobres por perto (não muito perto) para que realizem os serviços mais pesados. E os pobres precisam dos ricos, pois sobrevivem de suas sobras.

Até agora todas as tentativas de diminuir as diferenças entre pobres e ricos fracassaram. Ao contrário, a concentração da riqueza é cada vez maior. Individualmente, buscamos acumular riquezas, imóveis e objetos variados. Coletivamente, estamos organizados em países com governos, muitos deles escolhidos diretamente pela população, em votações diretas. Os governos, que deveriam ter como função principal regular nossos impulsos de acumulação de bens e distribuir riqueza, acabam invariavelmente agindo de forma a aumentar a concentração de renda ou, pelo menos, mantê-la exatamente assim como está. Sendo assim, é natural que a guerra armada entre pobres e ricos estoure em vários pontos do país e do mundo, todos os dias. E não há sinais de trégua. Quem cansa de esperar por justiça tende a buscar, pelo menos, vingança.

O mundo vive, há quase cem anos, sob o domínio do império americano, que impõe seus interesses comerciais e políticos com a força de suas armas, como fazem todos os impérios. A lista de países que os Estados Unidos da América bombardearam desde o final da 2ª Guerra Mundial, sempre com a desculpa de transformar o país bombardeado numa democracia que respeite os direitos humanos, é bastante longa: China (1945-46, 1950-53), Coréia (1950-53), Guatemala (1954, 1960, 1967-69), Indonésia (1958), Cuba (1959-60), Congo (1964), Peru (1965), Laos (1964-73), Vietnam (1961-73), Camboja (1969-70), Granada (1983), Líbia (1986), El Salvador (1980), Nicarágua (1980), Panamá (1989), Iraque (1991-2005), Sudão (1998), Afeganistão (1998) e Iugoslávia (1999). Milhões de pessoas morreram nestas guerras, a maioria civis e crianças, e nenhum destes países transformou-se numa democracia que respeite os direitos humanos, mas sim em governos que se mostraram muito lucrativos para as grandes empresas e bancos. Não sei o quanto esta lista cresceu até o seu tempo. Ainda existem países?

Em meu país, o Brasil, fundado na tradição da escravatura, já tentamos todas as formas de governo: monarquia (governo vitalício e hereditário), república (governante civil eleito democraticamente, com sistema presidencialista ou parlamentarista) e ditaduras variadas (governante no grito, por força das armas). Nenhuma deu certo. Somos o país mais injusto do planeta, em nenhum lugar como aqui há tanta diferença entre ricos e pobres, o que talvez dificulte a análise de suas descobertas. Cave com critério, há favelas vizinhas de palacetes, crianças morrem de fome por minuto enquanto bolsas para senhoras são vendidas por 5 mil dólares. (Não sei se o dólar ainda existe, mas com o preço de um destas bolsas poderíamos alimentar bem uma família de cinco pessoas por um ano.) Nos tempos atuais (há 16 anos temos numa democracia presidencialista) já testamos governantes de todas as tendências políticas. Todos falharam. Nosso atual governante, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro legítimo representante dos pobres eleito presidente da república em mais de 500 anos de história. Ele governa o país há 3 anos e não há sinais de mudança no quadro de desigualdade social no horizonte da vida de meus netos (espero tê-los). Aliás, não deixa de ser curioso escrever ao senhor no momento em que o Brasil, que há muito se auto-intitula ¿país do futuro¿, deixa de imaginar um futuro coletivo, político. Restou-nos esperar que o tempo passe. Esperança inútil, já que o tempo sempre passa, esperemos ou não.

De qualquer forma, seja cuidadoso em suas escavações. Se puder, leia nossos livros, veja nossos filmes, escute nossa música. Apesar de nossas misérias, buscamos dar sentido à vida produzindo arte e linguagem e só por isso merecemos o poder do planeta. Não fosse nossa habilidade de refletir sobre o real e compartilhar nossas visões de mundo, nossa capacidade mental de imaginar a vida do ponto de vista do outro, as baratas, ainda mais capazes que os pobres humanos para sobreviver de restos, já teriam tomado conta da Terra. Aliás, o que houve com elas?

Espero ter sido útil. E bom trabalho.

Um abraço,

Jorge Furtado

Porto Alegre, 6 de janeiro de 2006.

Crônico de Sandálias abusando das palavras em exatos 02:32

Aqui, já meteram a boca no trombone!



Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Esse é o Serviço Social, que se dedica à pessoas com um "q" a mais. Deste crônicas à avacalhações esdrúxulas - lê-se minha opinião - o site tentará sempre discutir temas atuais e estar sempre aberto a comentários, reclamações ou o que for.

O layout do site ainda é provisório, digamos um esqueleto de site, como deixei bem claro ao lado.

Agradeço os comentários desde já e espero que esse seja um início próspero.

Crônico de Sandálias

Crônico de Sandálias abusando das palavras em exatos 03:19

Aqui, já meteram a boca no trombone!



GENTE DA GENTE!!!!!

Crônico de Sandálias abusando das palavras em exatos 02:31

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